Estou sozinha de olhos abertos para a escuridão

Olá, amada!

Já notou como as paredes são frias?

Por dias inteiros tudo corria bem, eu conseguira produzir uns bons capítulos de meu novo romance, e não, dessa vez eu não escrevi um livro inteiro sobre você. Poderia? Sim, poderia. Mas… Desta vez não fui capaz de escrever sobre as flores que você me dava ou sobre a brancura de sua pele macia, pois, especificamente nessas últimas duas semanas a luz não brotou através da janela e tudo o que eu pude acompanhar de perto, trancafiada nessa casa solitária foi a escuridão, uma grande massa de ar frio alojada em meus pulmões e uma negritude louca para abocanhar meus medos. Continue lendo “Estou sozinha de olhos abertos para a escuridão”

Velho, que horas que a gente morre?

Os dentes são espirrados da boca e postos novamente no lugar com uma das mãos. A outra mão segura um cigarro de filtro vermelho por entre os dedos. No bigode, resquícios de cinzas. Pele perfurada por acnes brutais, revestida em grandiosas crateras. Olhos amarelados caídos. Sobrancelhas grossas e juntas de Frida. Lábios finos em cima, um pouco grossos embaixo. Toda uma carcaça envelhecida pelo tempo e pelos raios quentes do sol. Continue lendo “Velho, que horas que a gente morre?”

O que é Arte?

Arte é a atividade humana ligada a manifestações de ordem estética, feita por artistas a partir de percepção, emoções e ideias, com o objetivo de estimular esse interesse de consciência em um ou mais espectadores, e cada obra de arte possui um significado único e diferente. Continue lendo

Pensão alimentícia

Uma mãe chora com seu filho no colo no calor de setembro.

O menino, silencioso, observa seu próprio reflexo cabisbaixo em uma das portas do vagão.

Ao redor, pessoas perdidas rumo a suas felicidades nada utópicas. Continue lendo “Pensão alimentícia”

A mão e as flores

NÃO É NÃO!

Não é não; pensava eu; dizia a mulher; negava o homem.

Encosta aqui no canto; dizia o homem; fugia a mulher; olhava eu.

Vamos embora; insistia a mulher; consentia eu; permanecia o homem. Continue lendo “NÃO É NÃO!”

Das coisas indigestas

As horas estão escritas num futuro impossível

Querida, amada minha.

 

Repouso meu corpo embaixo de uma goiabeira em seu estágio inicial contemplando os pequenos frutos em formação e as folhas esverdeadas que se alastram pelos galhos e se deitam pelo chão. Penso nas horas que voam breves, escritas num futuro impossível… Levo uma fruta a boca, brinco de adivinhar quais são os animais nas nuvens, ouço os pássaros dialogarem entre em si em sua própria língua nativa, respiro fundo… Expiro… Deixo então as memórias fluírem juntamente com o oxigênio que se esvai boca a fora. Continue lendo “As horas estão escritas num futuro impossível”

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