Derivações de uma sexta-feira

3:12 da manhã. O sono não me invade, ao contrário, me mutila a mente, me castiga a carne. Penso nas atrocidades da vida, na personalidade e no egocentrismo das pessoas, em idas ao psicólogo, em porres de cerveja, em lâminas rasgando meus pulsos.
 
Tudo, tudo agora gira em torno de meu egoísmo, desde as garrafas desalinhadas até as pequenas coisas escritas em papeis amassados dentro das gavetas de minha escrivaninha, tudo gira em torno de meu egoísmo de certa forma.

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— escuto o silêncio de boca-a-boca, de porta-a-porta

As portas soam como sinos de fabricas. Os cartões de ponto são demarcados e a liberdade atinge peitos dilacerados pelas horas hostis e deprimentes.

Atraso por atraso e os segundos correndo contra minha própria vida. Precisei pegar um ônibus qualquer para chegar até o centro, meu estomago doía pelos milésimos percorridos, encontrei bilhetes na mochila que tinha ganhado de um morador de rua, um amigo me puxou pela mochila enquanto eu passava apressada pela estação de metrô e disse: “Eai, lixo”. Continue lendo “— escuto o silêncio de boca-a-boca, de porta-a-porta”

– A leitura que faço de mim mesma

Olhos pousados nas janelas com uma gota a pender da retina esquerda. Miragens de mim mesma correm na contramão de meu próprio corpo e espírito. É como se tudo o que sou se refletisse nessa janela respaldada pela penumbra das estações da vida. Os tímpanos se ensurdecem com o grave que toca a alma, come o ventre, pisa no próprio raciocínio lógico do termo evasão. Tudo o que eu sou é silvestre, é extinção, é mata fechada para expedição infantil militar depredatória. Bambu por bambu, cipó por cipó, galho por galho, e eu aqui de novo, pulando as arestas de uma selva desmatada pela hipocrisia. Continue lendo “– A leitura que faço de mim mesma”

Eu sou o que as traças deixaram para trás

Meticulosamente as ideias se voltam para um casulo oco. Dormem. Auto se nutrem por lembranças ferrenhas. É tudo pendular, constante e interminável. Escuridão. Paredes negras, solo negro, teto negro. Caixinha de sapatos. Sem forro. Sem seda. Guardada num revestimento de madeira falso, horizontalmente embaixo de roupas antigas, furadas, empoeiradas, destroçadas por traças velhas. Continue lendo “Eu sou o que as traças deixaram para trás”

Canção para o papai

Como eu me orgulho de mim, dia após dia, dando o primeiro passo.
Vai menininha, caminhar sem rodas, caminhar de mãos; dedo com dedo dando choque no coração.
Fala menininha: fala! Diz para o mundo qual é tua missão!
Olha o papai ali…
Olha o papai ali…
De braços abertos te esperando. Continue lendo “Canção para o papai”

Escrevo para não enlouquecer

Implanto as percepções sobre a vida
em cima de linhas brancas
bordadas de linhas finas pretas,
enquanto vou dançando com o tinteiro
pelos arredores de minha mente. Continue lendo “Escrevo para não enlouquecer”

Geração mordaça

As portas se fecham. O sino soa. Os carros partem. Fujo da plataforma parada. Uma força maior, um impulso, e eu salto rumo a minha liberdade.

Tudo tem a ver com as amarras mentais e no quanto você se castiga e se machuca. A troco de quê? Por quê? Continue lendo “Geração mordaça”

Sinto falta de mim, em mim

Olá amada,

Útero berra. Chuva despenca. Livros empilhados ao chão. Prateleiras vazias. Fim de mês.

Mudar é uma arte. Mudei… Continue lendo “Sinto falta de mim, em mim”

Você consegue definir a questão?

Um canudo sem valor para o fundo da gaveta?

ou

O preço máximo dos valores do conhecimento?

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