Quando a meia-noite brota

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Noite insana

Polpas solares se recolhem
Enquanto o sumo dos teus sonhos se jogam de pontes.

O suor escorre da nuca,
Lampeja pelas costas,
Aterriza nas nádegas,
Enquanto eu, tranquilamente te observo.

Em baixo das minhas unhas nefastas tem seu cheiro de puta;
Putamente em plural dócil-chocolate.

Fecho os olhos para tocar o céu da boca com minha língua em gozo adormecido;
Sinto partes de suas coxas ao esbarrar nos caninos de ontem vorazes.

Fronhas ao chão,
Olhos revirados e espuma;
O sol se fez no meio do vigésimo terceiro orgasmo
E nós aplaudimos os raios sedentos de fogo.

Observo as paredes tocadas pelos pés desnudos
E as digitais criminosas das mãos com vinte dedos de unhas ruídas sem esmalte.

Quão longe e longamente fomos juntas pelo espaço,
Não é mesmo?

Trago meus joelhos ralados de encontro ao peito,
Pego do chão o maço;
Longe observo o atraso e a insatisfação do mundo
Enquanto evaporo densamente com a fumaça e os vergões de seus poros.

Noite insana,
No ar; pouca roupa,
Na cama; laços de cobra,
Pela manhã; a cidade turva sem nenhum cantil de flores.

Tudo Puta!

Ela galopou através do deserto e estacionou seu pequeno jegue em minha varanda, trouxe consigo um punhado de facas sem cabo, chupetas sem alça, e dois isopores vazios.

A convidei para tatear o solo azulejado enquanto ela dizia:

– Ei, olha o que eu trouxe lá de casa para você, querida.

E eu disse:

– Ok. Ponha as facas na cozinhas junto com as chupetas e deixe os isopores atrás da porta da sala. Continue lendo “Tudo Puta!”

Te esperando pousar seus sapatos em minha mureta

Você se põe a chocar a desistência,
Enquanto você espera por um par de sapatos conhecidos e você não é rápida o bastante,
Ao menos não tão rápida quanto os pés perturbados;
Ai você conta os segundos em seu belo relógio imaginário,
E uma flor amarela gruda em seus cabelos
Enquanto outra flor amarela se ajeita em seu colo. Continue lendo “Te esperando pousar seus sapatos em minha mureta”

Não que seja saudades

Há dificuldades em abraços simultâneos;
Sou rocha sem braços fortes o suficiente
para abraçar uma ausência de duas semanas.

Como devo proceder,
Se diante de olhos brilhantes coloridos o medo me enclausura numa espécie de buraco de minhoca?

Um toque reveste a casca dura que o dia formou em volta de cola, pó e insegurança.
Vejo chamas vermelhas atravessarem os fogos peculiares dela
E tudo o que me resta é escrever enquanto caminho por corredores e elevadores desconhecidos.

Ar polui o globo,
Me arrependo de engolir a seco as palavras que me assombram;
Viagens para o rio são tão enfadonhas quanto olhar para o corpo em minha frente e sentir necessidade de devorá-lo.

Se fosse tudo mais fácil e no lugar do pôr do sol a noite fosse púrpura?

Não que eu esteja escrevendo sobre saudades,
Mas as defensivas são tão inertes uma vez que os sorrisos mútuos se encontram.

Minha mãe!

Bitucas em copos com cinzas
Doses de pinga antes da janta
Chicotes invisíveis
Grilhões tão bizarros como o circo;
Onde foi para a cantoria e o sorriso embranquecido desta mulher envelhecida e triste?

Horas a fio no verão
Num sofá de couro barato,
Controle remoto apontado para uma chacina televisiva
Outra mão punitiva no lombo do gato;
Onde foi parar a juventude tardia desta pobre mulher?

A igreja toca o sino
Cruzes são erguidas bem lá no alto,
Imagens de santo são jogadas ao lixo em jornais amassados,
Bíblias e louvores protestantes são desferidos em mesas de almoços fartos;
Deus, onde será que foi parar a virtude desta sagrada mulher?

Os pelos pubianos crescem e se cacheiam
O rancor,
O ódio,
A solidão
E os músculos atrofiados resumem esta mulher sem cor de esmeralda;
Tempo, o que fizestes com esta pobre alma?

Sentei sobre cadeiras de gordura e pó e me pus a escrever,
Quando fui ver já tinha reservado um espaço entre o céu
E o inferno juntamente com a figura de minha própria mãe.

Quão grande um sonho meu é?

Bengalas e Crucifixo

nada se solidifica
a não ser curar as veias expostas com esparadrapos e conhaque
enquanto uma tocha de sangue escorre
e as sangue sugas se mastigam em aquários de pedras coloridas.

acelere a música fúnebre da vida,
as maquinas de fazer projéteis de homens,
o processo do martelo amolecedor de carne;
nada mais restará,
se não os pedidos de socorro,
mãos a palmatória,
esponjas de bundas em bocas semi-limpas,
bengalas espalhadas pelo hall em forma de crucifixo
apontadas para o sol às exatas: 18:57 horas da tarde.

A vida falhou conosco miseravelmente

despertei para a chuva e os girassóis estavam mortos,
as plantas de plástico nos vasos de plástico,
tristes como bonecos de cera;
mais outra namorada se foi
e as garrafas de vinho se acumulam
como moscas beijadoras de morte. Continue lendo “A vida falhou conosco miseravelmente”

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