As virilhas soam e os sovacos se molham

Os termômetros hoje marcaram 40º e todos, sem exceção, tinham suas almas derretidas bem diante dos olhos de Deus e suas carnes ao ponto para a alegria do Diabo. É engraçado em como dias assim a raiva nos consome até o ultimo fio de nossa sanidade, ficamos feitos leões numa natureza exposta loucos para chafurdar nossos caninos e nossas patas cansadas em cima de algum desgraçado infeliz e menos selvagem que nós. Dias de muito calor me lembra um deserto que eu frequento a anos e nunca consegui ver uma miragem se quer… chega a ser engraçado, você olha para toda aquela areia e toda aquela areia olha de volta para você, e instantaneamente, vocês se compreendem e se ligam numa reciprocidade eterna. Assim são os olhares em dias quentes como estes de verão. As pessoas te olham, você olha de volta para elas e das duas uma; ou você quer mata-las ou elas querem matar você com toda a secura que contém em seus corações. Corações estes gélidos nas outras estações do ano, mas que se liquidificam com a chegada do verão. E isso é perigoso. Extremamente perigoso e doentio. Mas, você apenas reza para que uma chuva não programada despenque do céu ou que alguma viúva se case e depois de uma repentina tempestade, possamos ver algum arco-íris, cintilante e feliz.

E dias como estes são vidas. E vidas como estas são chatas. E verões são intermináveis. E pessoas são algozes. E picolés se derretem. E águas se aquecem nos canos das cozinhas. E moscas pousam nos braços. E pernilongos borrachudos chupam seu sangue e depois morrem ao verificarem que você não possui sangue correndo em suas veias. E automóveis superaquecem. E mães desistem de viajar para longe. E algumas mulheres fazem nu artístico através de uma chamada de vídeo. E as cervejas se acabam em apenas um gole. E as horas derretem os ponteiros que marcam os segundos. E os gatos deitam-se no chão frio da sala com os olhos moribundos aparentando estarem mortos. E pelo excesso de calor você esquece de devolver as muletas na igreja. E as telhas das casas superaquecem. E os ovos por si só se fazem e pintinhos brotam já mortos de cascas semi-quebradas. E você, bom, você faz crônicas com trocadilhos sem sentido para você mesma depois de passar algumas horas vendo séries em inglês. E na sala há pessoas estranhas sentadas em seu sofá, e elas riem, cospem saliva e gargalham, juntamente com sua mãe, e isso é uma grande diversão para ambos, enquanto a televisão emite a novela das nove horas. E você olha no relógio. E você sente sua virilha suada. E você sente fome, mas não pode sair do próprio quarto porque tem medo de estranhos.

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2 comentários em “As virilhas soam e os sovacos se molham

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  1. Depois são os meus textos que encantam! Não sei se é coincidência. Tenho certeza, não é falsa reciprocidade virtual. Gosto do seu jeito de escrever. Tem uma coisa diferente aí. Parabéns!

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