Segunda-Feira, parte 2

Eu não via a hora para que, Carolina voltasse a ficar comigo novamente. O relógio parecia voltar para trás a cada minuto que se estendia o tempo, era agoniante e desesperador… 

Quando não, finalmente os ponteiros marcavam-se 19:15 e meu celular vibra; era ela que se encontrava no portão de minha casa à minha espera. Fui então busca-la e eu mal tinha aberto o portão e ela já foi entrando e me enchendo de beijos, me abraçando e proferindo estar cheia de saudades. Não me deu muito tempo para que eu conseguisse trancar o portão, colocar o Spike para dentro, fechar a porta e pendurar as chaves, ela estava toda desesperada e afoita e já foi logo me arrastando escada a cima em direção ao meu quarto.  

Nem se importou com a bagunça, as garrafas, a cama desfeita, a música antiga, ao latido do cachorro lá na sala ou ao piano sendo tocado pela garotinha que morava na casa ao lado. Ela não se importou, muito menos se atentou a nada, simplesmente me pegou pelos braços violentamente e me jogou em minha cama tirando-a do lugar com a força e rapidez que meu corpo foi empurrado para cima dela. Carolina estava tão apressada e fogosa que mal me dava folego ou chances de dizer ou fazer algo que não fosse ou se parecesse com ato sexual. 

Ela veio por cima de mim me olhando como um caçador do reino animal admira sua presa antes de devora-la, e então me beijou os lábios e me apertou os braços, não resisti, foi como se um animal também em mim tivesse sido despertado e estivesse altamente pronto para o combate. Nos encaminhamos para a possessão da carne, o aguçar dos cheiros e do toque, a sensibilidade da pele e a vulnerabilidade da audição. Corri gentilmente minha mão de baixo para cima em suas costas por de baixo da blusa, mas começando bem suavemente causando leves espasmos no corpo dela, subindo até chegar ao pescoço, e a partir daí passei com mais firmeza meus dedos em sua nuca e enfiei meus cinco dedos por entre seus belos cabelos cacheados e puxei levemente ao mesmo tempo que minha boca já em seus ouvidos soltavam breves e calorosos gemidos de aguçar qualquer libido e arrepiar qualquer menor partícula corporal. 

 

Como de costume, Carolina não se conteve, logo cedeu ao toque firme e certeiro de minhas mãos em seu corpo, soltou um aliviado sussurro que parecia vir de dentro de sua alma e que se desprendiam para fora a cada novo toque meu. Tínhamos milhões de coisas em mente, tanto daquele nosso tempo e espaço, tanto quanto das coisas que se passavam fora daquela nossa cena perfeita. Não nos importamos com o que tínhamos de fazer ou com quem eramos, apenas nos deixamos levar adiante para que uma nova dimensão prazerosa fosse habitada. Incrivelmente, isto não demorou muito para que ocorresse, nos deslizamos para escrivaninha, meu lugar preferido em meu quarto pois é nela que eu costumo escrever meus contos, porém agora ela tem uma nova finalidade; ”apoio para corpos sedentos de acúmulos sexuais.” Não nos foi permitido a noite inteira como gostaríamos que fosse, pois ela tinha que voltar para casa cedo…

 

Passamos longe de nos amar aquela noite, diria que amor não se teve ali, foi apenas corpo, carne, sangue, pulsar, cheiro, desejo, toque, sexo com sexo e sexo por prazer. Éramos então amantes apaixonadas, gêneros apaixonados, vontades apaixonadas… então, a ruptura de nossos corpos colados e suados teve que se impor, pois o relógio já marcavam 22:30 e não tinha mais como prosseguir na montanha russa de emoções e acúmulos, tivemos que dar fim. Mas antes que ela pudesse se vestir novamente dei-lhe um rápido puxão pela mão que depois guiei até meu rosto, me levantei para que ficássemos da mesma altura e que nossos olhares se namorassem e se falassem no silêncio que as bocas faziam, sorri então pensando: 

– Como não a querer para todas as manhãs como primeira imagem, e como não deseja-la por esta performance incrivelmente excitante? 

 

O caso não tinha mais suspeitos, apenas nós duas como culpadas, e foi assim que nos beijamos e nos despedimos, felizes e apaixonadas por aquela segunda- feira que eu creio ser só o começo de muitas outras segundas, como novas terças, quartas de boas surpresas e finalmente sexys de quinta e assim por diante.

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