Cocô humano na sola da humanidade

Um sorriso mesclado com a figuração do próprio ser. É notório como as luzes se apagam naturalmente quando o sol se vai e a escuridão de um verão sem lua cheia pode te cobrir na mais completa escuridão. Sinto um leve arrepio pairar em meus braços e nucas, vozes de refugiados suplicando salvação eterna e corações sendo arremessados de janelas de casas de pau a pique. É extremamente perturbador o cintilante caos das vidas contidas no mundo quando tudo o que você tem para fazer é sentar a sua bunda gorda bem diante das diversas raças de cachorros humanos e esperar. Esperar que eles caguem nas solas alheias e que depois eles se reúnam para cheirarem o cu um do outro durante toda uma vida. Enquanto você espera por uma morte precoce que nunca vem, as horas vão passando, os dias seguem voando e fios de pentelhos brancos começam a brotar aos montes em sua buceta. E você percebe sem querer, que a humanidade está sendo esfarelada por trituradores elétricos de plástico, e infelizmente, não há nada que se possa fazer. Você até pensa em se matar pra ver se consegue desmistificar a presença ou a ausência de um deus, mas você não se mata, porque você pensa na sujeira que os transeuntes terão de recolher, e você pensa nos livros que ainda tem para ler mas nunca mais terá a oportunidade, e você pensa em todo o açaí do mundo te esperando firme, sem derreter, e você pensa em todo o álcool e todas as drogas alucinógenas que você tem que experimentar, e você pensa no gato, na porra do maldito gato e se pergunta, será que ele dará por minha falta?

Mas por mais que tudo isso aparente ser meio sádico, você apenas diz; ok, vamos nessa! Você não pensa em sua família que teria que reconhecer o corpo nem na dor das lágrimas salgadas jorrando de seus olhos tristes e desolados. Você não pensa em sua namorada ou sequer relembra das outras mulheres que passaram pela sua vida, mas por um segundo, apenas por um milésimo de segundo, você pensa; será mesmo que a dor é opcional? E então você hesita em pular do nono andar e recolhe seu corpo lamentavelmente meio jovem de volta para sua velha cama, com um colchão todo fodido e espanado pelas molas, e então você se deita e tenta fazer algum exercício de meditação que você descobriu mais cedo num aplicativo, mas você desiste nos dois primeiros minutos porque a merda do aplicativo é todo em inglês e você não está com saco de ouvir nenhum idioma estrangeiro em seu ouvido.

Quando você se dá novamente por si, você se pega querendo se masturbar, mas também hesita, porque lá fora deve estar no mínimo uns 43ºc e você não quer ficar mais suada do que já está. Então, pra refrescar a merda do calor absurdo, você chupa todo o açaí que você aguentar e bota todo o gelo que você puder no tornozelo quebrado e mais uma vez mentalmente você pensa na janela do nono andar e se martiriza com a dúvida; será que se eu pular daqui eu me quebraria toda ou encontraria definitivamente a paz eterna? Infelizmente, nunca consigo achar uma resposta plausível para mim mesma. Então eu me sento numa cadeira e observo, observo com os pensamentos girando no ar como moscas de cachorros rondando uma enorme cagada e espero… espero que o dia se acabe e que amanhã seja um novo dia ensolarado menos fétido e menos suicida.

 

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