A rua dos cataventos, de Mario Quintana

Hoje pela manhã me peguei matando uma sede seca de leitura.

 

O relógio marcava, 07:33. Um gosto de cebola revestia minha boca enquanto uma tendência a literatura erradicava meus poros recém acordados.

Antes que meu corpo se levantasse e fizesse menção de dirigir-se ao toilet para algum tipo de higienização básica matinal, o reprimi e ordenei que o mesmo voltasse para a estadia solene da cama quente e recostasse-se em travesseiros macios para começar a matar uma sede seca de leitura.

Uma das obras que comecei a ler no começo da semana e terminei hoje se chama: Se abrindo pra vida, pelo espírito Lucios e psicografado por, Zibia Gasparetto. 

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Aos trinta e oito anos, Jacira acredita estar prisioneira de uma situação irreversível e sem saída. Assim, ela prefere entrar na depressão, culpar os outros, acreditar que não tem como mudar o destino. Mas, ao contrário do que ela pensa, a vida trabalha em favor do seu progresso, enviando desafios, apertando o cerco e fazendo com que, cansada de sofrer, ela acorde para a realidade, descobrindo potenciais, buscando caminhos e se abrindo para vida.

– Continue se esforçando para tornar-se uma pessoas melhor, faça a sua parte que a vida fará o resto. Vamos agradecer a Deus por esta noite. 

Eu sou uma pessoa totalmente cética e particularmente não sou detentora de nenhuma religião, mas aprecio com grande prazer e muito aprendizado as doutrinas provenientes do espiritismo. Afinal, não precisa ter fé para obter conhecimento.

Após trazer junto ao peito esta bela obra da querida Zibia, me pus a aventurar-me na obra; A rua dos cataventos, de Mario Quintana.

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Foto por: Maria Vitoria

 

Banhar-se em obras de grandes escritores são purificações pela alma que já vem gasta pelo tempo.

  • Maria Vitoria

Um estilo bem diferente uma obra literária da outra porém uma mais magicamente tocante em igualdade. Quintana me trouxe inspiração e principalmente uma felicidade semelhante ao meu primeiro gole de cerveja pelas manhãs. Eu sei, álcool no café da manhã é meio nocivo, mas o que na vida em si já não é?

Parafraseando as especulações da vida à parte, gostaria de compartilhar com vocês dois dos poemas contidos no livro de Quintana que me encantaram, que são:


V

Eu nada entendo da questão social.

Eu faço parte dela, simplesmente…

E sei apenas do meu próprio mal,

Que não é bem o mal de toda a gente,

Nem é deste Planeta… Por sinal

Que o mundo se lhe mostra indiferente!

E o meu Anjo da Guarda, ele somente,

É quem lê os meus versos afinal…

E enquanto o mundo em torno se esbarronda,

Vivo regendo estranhas contradanças

No meu vago País de Trebizonda…

Entre os Loucos, os Mortos e as Crianças,

É lá que eu canto, numa eterna ronda,

Nossos comuns desejos e esperanças!…


XXXIII                            PARA REYNALDO MOURA

Que bom ficar assim, horas inteiras,

Fumando… e olhando as lentas espirais…

Enquanto, fora, cantam os beirais

A baladilha ingênua das goteiras

E vai a Névoa, a bruxa silenciosa,

Transformando a Cidade, mais e mais,

Nessa Londres longínqua, misteriosa

Das poéticas novelas policiais…

Que bom, depois, sair por essas ruas,

Onde os lampiões, com sua luz febrenta,

São sóis enfermos a fingir de luas…

Sair assim (tudo esquecer talvez!)

E ir andando, pela névoa lenta,

Com a displicência de um fantasma inglês…


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Mario Quintana

Mario Quintana publica seu primeiro livro de poesia aos 34 anos, em 1940. O conjunto de 35 sonetos reunidos em A rua dos Cataventos expressa várias das preferências temáticas do autor e muitos dos motivos que serão recorrentes ao longo de toda a sua produção. A leitura deste livro é, portanto, uma iniciação importante à obra do poeta, permitindo que se compreenda como ele desenvolveu os elementos poéticos, que são determinantes em seu fazer, deste livro inaugural.

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