Com amor, Mortis

Cara amada, lágrimas rolam sem eu saber o motivo de tal existência. Me permaneço agora perdida, mergulhada em ideias sortidas e devaneios conturbados. Olho ao redor de mim; escuridão.

Toneladas aconchegam-se em meus ombros e fazem moradia, por fim, prevejo outra noite acasalando-me com minha amante: insônia!

Hoje o dia foi perdido, as horas se baniram em minha vida, envelopada numa correspondência que jamais terá um destinatário. Em mim, órgãos doem sem doer, pedindo por uma falência causada pelo enterro de algum vício mortal qualquer…

Sinto sangue borbulhar amargo juntamente com minha saliva, tento então a todo custo drenar vida para dentro de mim. Sim, me sinto morta. Sim, me sinto perdida num plano astral que não posso chamar de lar…

Estou inquieta, já tentei fazer de tudo, mesmo todas as ações me levando a realizar nada, tentei. Ou, morri em mim, antes que eu pudesse planejar o próximo passo de um ato qualquer. É tudo tão confuso, tão humilhante. Me sinto fraca, me revejo sem parar, como flash em tom de despedida. Uma queda, da realidade ao extremo inferno. Um declive, soterrada na inércia das dores jamais sentidas.

Sabe, hoje eu salvei em meus arquivos inúmeros livros novos com temas diferentes, desde Filosofia, Anarquismo e Psicologia. Eu tentei, juro que tentei, mas a cada tentativa de leitura, era uma entrega a loucura de minha própria fadiga. Tudo o que eu penso, me torna inexistente. Tudo o que eu almejo fazer, me torna uma derme elasticamente morta. Não sei o que há de errado comigo, transmuto-me de instante em instante; momento raiva, momento fracasso, momento dor, momento solidão…

A madrugada já entrou, festejou, e já se prepara para a despedida. O sol já espera à postos para reinar. Minha amante insônia hoje estava tão frívola, que o único momento de prazer que senti foi quando num piscar de olhos pude sentir o cheiro do passado revestido num aroma simbolizando tristeza e morte.

Me perdoe pela profundidade da tristeza nos encalces das palavras, mas é que eu necessitava de te escrever para não enlouquecer.

 

Com amor,

 Mortis.

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