Gestão e Planejamento

Cobertas vão pelos ares bebendo da cor cinza das nuvens tortas.
Um corpo superaquecido pela graça dos sonhos de um amor falido.

Avisto mãos infantis catando migalhas de bocas que espirram desperdicio.
Às vezes o perdão da jovem fome só se encontra quando a palma negra refuça o lixo.

Dois faróis mais adiante uma camada de pele morta sobressai das calças estrupadas pelo zíper.
Os dentes ferem carne branca em formato de tubo em óleo.

Caixas de pão caem no meio da pista parando o tráfego do ônibus laranja.
Havia muitas mostardas e ketchups na pequena carroça de alumínio.

Um. Dois. Três sem tetos se revezam na esmola que burle a fome dos egos para que abrigos se formem na camada dos olhos antes que a dó açoite.

Um homem alto, branco, de casaco preto e sapatos pretos segura um lenço de papel na altura da boca ao mesmo tempo que tenta me sorrir, do mesmo modo que tenta disfarçar as lágrimas.

Me olho no espelho do primeiro andar me encarando enquanto tento deixar meus cabelos murchos com um pouco mais de vida própria.
Percebo então um par de olhos no batente da porta.
Uma garota de pele escura e cabelos lisos, me encarando com o olhar curioso e acanhado.

Encho d’água uma garrafa de menos de dois reais com água quente.

Meus pulmões então me gritam:
Nos fume.

 

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