Garoa nem sempre é sinal de chuva

Caçando livros de forma aleatória nas prateleiras, ouvindo Marisa Monte tentando não pensar em nada. Então sua mão brota de forma quase intocável em meu ombro, retiro meus fones como gesto de cumprimento e te alcanço um sorriso com aspecto de surpresa. Havia tempo o suficiente para uma segunda-feira, burlamos então as calçadas infestadas por corpos infantis uniformizados devidamente e eu pude sugar para dentro de meu peito uma fumaça quente em contraste com a chuva que se aproximava de nós. Mochilas ao chão com livros em nossos colos. Rimos observando a idade estrelar das árvores. Fazia frio. Eu, sem blusa e com os seios enrijecidos apontando para teus olhos um tanto cansados e cabisbaixos.

Pouca luz num quadrado ensalado por carteiras semivazias. Rimos de nossas viagens malucas um pouco além do previsto e isso foi legal, bem melhor sorrir sem forçar e sem perceber que os lábios apresentam dentes que estão carentes de sorrir à toa. Potinho de doce em suas mãos que combinavam com a cor de seu batom quase, porém não tanto, avermelhado. Te prometi um vinho barato numa quarta-feira para acompanhar seus salgadinhos com datas vencidas. Você encerra nossa despedida pedindo por músicas de rap, eu então quase tropeço nos pés alheios dos que transitam pela estação da rotina, cansados, com ódio e sempre com muita pressa.

 

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