Cheiro de mofo e dentes separados

Proporções de você se escoram em meus ombros derramando o perfume que usava em nossas juventudes. Meus olhos doloridos esguicham água salgada enquanto meus ouvidos sobrevoam para fora das janelas de plástico. Sinto sua voz desmanchando por entre meus dedos e meu útero dói constantemente. Vertigens acaloradas tomam conta de meu ser que hoje sente-se tão ausente, sente-se acanhado por sustentar ossos, sangue e pele.

Destes. Seus dentes separados eram distâncias que eu sempre percorria. Tua casa com cheiro de mofo grudou de tal forma no meu subconsciente que agora todas as vezes que eu me deparo com cômodos velhos, molhados e gastos, me recordo das madrugadas que passamos juntas em camas de solteiro. As chamas que as calhas e as janelas de lona faziam te assustavam, te envergonhavam perante à mim, mas também me faziam sentir parte de uma grande aventura. Tímidas e cheias de desamores no peito, trazíamos sempre nossos passados à tona anteriores aos nossos desejos. Meu corpo nu se perdendo em buracos tão fundos incapazes de encontrar um único raio de sol.

Uma garota jovem se senta ao meu lado enquanto outras cinco se recusam. Ela tinha o seu cheiro de doze anos atrás, tua imagem então correu de encontro ao meu peito um tanto triste. Voltei no tempo, sorri, me permiti jamais te esquecer.

 

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