Garota Bukowskiana

Querida amada, observo as chamas em capas pretas com tipografias douradas enquanto uma pequena parcela do sol cobre as sombras de minhas mãos negras após cinco minutos de chuva. Parece que há outra de mim dentro de mim mesma, pois o grande peso da barriga soma a falta de fôlego e a dormência de minhas pálpebras. Sinto que preciso me subtrair, mas nunca existe divisão o bastante para que o mundo me impeça. Continue lendo “Garota Bukowskiana”

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Cartas para, Carolina.

Amor, deixo a testa em rugas e os olhos sedentos, mas não é raiva o que sinto, só por hoje, porém, não tão pouco o bastante, não é raiva o que me inflama.
Soletro meu próprio fôlego com versos decassílabos na esperança de trazer novamente um pouco de tom coral à vida. Continue lendo “Cartas para, Carolina.”

Sinto falta de mim, em mim

Olá amada,

Útero berra. Chuva despenca. Livros empilhados ao chão. Prateleiras vazias. Fim de mês.

Mudar é uma arte. Mudei… Continue lendo “Sinto falta de mim, em mim”

Estou sozinha de olhos abertos para a escuridão

Olá, amada!

Já notou como as paredes são frias?

Por dias inteiros tudo corria bem, eu conseguira produzir uns bons capítulos de meu novo romance, e não, dessa vez eu não escrevi um livro inteiro sobre você. Poderia? Sim, poderia. Mas… Desta vez não fui capaz de escrever sobre as flores que você me dava ou sobre a brancura de sua pele macia, pois, especificamente nessas últimas duas semanas a luz não brotou através da janela e tudo o que eu pude acompanhar de perto, trancafiada nessa casa solitária foi a escuridão, uma grande massa de ar frio alojada em meus pulmões e uma negritude louca para abocanhar meus medos. Continue lendo “Estou sozinha de olhos abertos para a escuridão”

As horas estão escritas num futuro impossível

Querida, amada minha.

 

Repouso meu corpo embaixo de uma goiabeira em seu estágio inicial contemplando os pequenos frutos em formação e as folhas esverdeadas que se alastram pelos galhos e se deitam pelo chão. Penso nas horas que voam breves, escritas num futuro impossível… Levo uma fruta a boca, brinco de adivinhar quais são os animais nas nuvens, ouço os pássaros dialogarem entre em si em sua própria língua nativa, respiro fundo… Expiro… Deixo então as memórias fluírem juntamente com o oxigênio que se esvai boca a fora. Continue lendo “As horas estão escritas num futuro impossível”

Existe uma mesa com papéis, livros e uma lareira apagada

Cara, amada minha.

 

O fogo invisível queima o restante do que ainda me sobra. Desenlaço as outras cartas por correspondência e as jogo em cima de minha bagunça descontrolada, casando as cartas com os papéis rascunhados, livros e meia garrafa de Domecq.

Por aqui quase beiramos a primavera, porém o sol arde como a brasa do inferno. Não há lenços o suficiente para sugar o suor do buço, nem cuecas que não transpirem mais do que maratonistas em dia de São Silvestre. Tudo aqui caminha de uma forma meio réptil… Os dias rastejam como cobras traiçoeiras e picam tão duido como os escorpiões da África. Uma grande selva árida generalizada, entende? Continue lendo “Existe uma mesa com papéis, livros e uma lareira apagada”

Com amor, seu picolé barato

Carolina, cimento meu próprio estômago com fel amargo para poder encobrir uma devastação gigantesca de incredulidade.

Tudo me cansa, as vezes me sinto vazia como um projétil de arma perdido nas vielas, vez ou outra me sinto vazia como a mente de alguns imbecis.

Continue lendo “Com amor, seu picolé barato”

Sua grande novidade

Minha querida, eu estive pensando… por onde andam as mulheres que já estiveram em minha cama? As que se aconchegaram em meu peito? As que disseram que me amavam?

Por quantos corpos mais elas se perderam até se encontrarem aonde estão agora? Quantas loucuras profanas elas tiveram que se submeter em troca de um pouco de amor ou uma trepada sem graça com um pouco mais de cinco minutos de duração? Continue lendo “Sua grande novidade”

Sua doce menina

Querida amada, meu útero se contorce numa raiva descomunal. Nas veias o sangue borbulha, espirrando um liquido quente e altamente inflamável. Sinto a dor como um orgasmo interrompido, e praguejo para deus uma maldição tão fudida, que nem mesmo ele possa converter essas palavras.

Raiva hoje. Raiva amanhã. Raiva para sempre.

Faz sol lá fora, céu azul com muitas nuvens brancas… é estranho, só visualizo dor em cada uma delas. Hoje não será um bom dia, pois a lástima pela presença em vida me consome. Sabe, hoje foi dia de consulta com a psicóloga, e eu falei que estava tudo bem, e está? Ou eu queria que estivesse? Continue lendo “Sua doce menina”

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