Linhas. Feijoada. Fim de carnaval

Há dias que se iniciam em formato de flocos de neve e no decorrer dos ponteiros se tornam pingos de chuva e depois o céu manda uma breve tempestade, mas então quando você menos espera um único raio de sol desponta quando a noite esta prestes a dar sua graça. Continue lendo “Linhas. Feijoada. Fim de carnaval”

Anúncios

Fome de pele. Lábios incolores de cola

A jugular dela pulsa tão impaciente enquanto um singular raio de sol num domingo repousa sobre as orelhas dela.

Fico bem de perto observando o sangue pulsando bravamente, imaginando o quanto de força é necessário para alcançar uma morte indolor. Continue lendo “Fome de pele. Lábios incolores de cola”

Fome de macarrão e palitos de madeira

A fome exalta os sentidos mais esquecidos e nos faz raciocinar de forma gradual.

Observo cinco homens saudáveis, fortes e famintos devorarem macarrão instantâneo com palitos de madeira, automaticamente, a mesma fome que habitava seus estômagos se esvai por uma foto. Continue lendo “Fome de macarrão e palitos de madeira”

Sexta-Feira 12

Vidas brotam de fontes de água cristalina e bueiros sem tampa…

E uma mulher negra com um Eight na boca apagado e sessenta por cento do corpo queimado, tropeça na guia da calçada. Continue lendo “Sexta-Feira 12”

Feliz Ano Velho

Estava eu ali, beijando os bocais tristonhos de uma inverdade quase desfalida; quando me pus de pé ao embranquecer dos pentecostes universais traidores de minha própria sorte.

Busquei as drogas como um refugio prático a vida miserável pela qual meu sorriso não vingava, buscando sempre uma maneira eloquente de findar um coração esburacado pelas guerras que a rotina me calçavam. Entretanto, os clamores permutáveis de horas postas de joelhos semi-rachados, nada me traziam como glórias e eu estagnava ali… Contando as crostas de um irrisório despretérito. Continue lendo “Feliz Ano Velho”

Que mundos te guardem e te apartem de mim…

O mundo é vasto e infinito. Quem diabos sabe dizer qual a melhor localidade para se sentar com a coluna ereta ou com o tronco em posição horizontal para escrever algo além daquilo que a mente diz para rascunhar?

Já tentei de tudo, mesmo esse tudo não sendo (quase nada). Já me dispus a trocar um quarto inteiro de lugar, já fui à feira com caderno e lápis na mão, já me fixei em bibliotecas municipais, já me desloquei a cemitérios, já me sentei ao chão em estações de mêtro na hora do rush, já visitei titias só para usar o cenário de suas casas como palco para minhas escritas, já viajei para outras cidades, já troquei de namoradas para ganhar inspirações novas, já fiquei dias sem dormir quase beirando a loucura e a demência, já escrevi em ônibus lotado passando a cem por hora em cima de lombadas, já fiz de tudo um pouco, de pouco um tudo e, ainda assim, não encontrei o lugar ideal para me sentar e escrever. Continue lendo “Que mundos te guardem e te apartem de mim…”

Rosas vermelhas não alteram tempestades

O útero dói. Gota a gota uma enorme poça de sangue se forma e percorre o labirinto das coxas, canelas, pés… Sinto-me quente nesta sexta-feira tão fria enquanto uma garoa fina despenca do céu camuflando-se em minhas lágrimas mornas.

Debruçada em uma ponte observo a cidade, conto os passos dados por segundo na esperança de esquecer-me de mim por um breve infinito de tempo. Ao fechar os olhos, visualizo rosas vermelhas desabrochadas, dóceis, femininas… Continue lendo “Rosas vermelhas não alteram tempestades”

– É uma rosa rubra a autora dessas linhas

“Você nunca vai aprender a ler e a escrever. Você é burra demais pra isso, eu desisto de ensinar alguma coisa pra você garota.”

Engraçado como essa frase ainda me acompanha. Como depois de tantos anos eu ainda posso ouvir em meus ouvidos as palavras duras e cruéis de M. Continue lendo “– É uma rosa rubra a autora dessas linhas”

Derivações de uma sexta-feira

3:12 da manhã. O sono não me invade, ao contrário, me mutila a mente, me castiga a carne. Penso nas atrocidades da vida, na personalidade e no egocentrismo das pessoas, em idas ao psicólogo, em porres de cerveja, em lâminas rasgando meus pulsos.
 
Tudo, tudo agora gira em torno de meu egoísmo, desde as garrafas desalinhadas até as pequenas coisas escritas em papeis amassados dentro das gavetas de minha escrivaninha, tudo gira em torno de meu egoísmo de certa forma.

Continue lendo “Derivações de uma sexta-feira”

Site hospedado por WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: