Formule ódio e perdão na mesma frase

Reflito todo esse vazio que sinto com relação às mulheres, de uma forma que explique toda uma ausência afetiva, amorosa, zelosa e cuidadora da qual eu não obtive em minha infância. As mulheres que coloco hoje em minha vida e as quais eu deixei adentrar meu mundo foi um pedido de socorro, ou melhor, um tampa, para que toda a minha falta de um processo infantil burlado, fosse suprido à base de sexo, relações conturbadas, traição, mentiras, lágrimas, abandono e solidão. Continue lendo “Formule ódio e perdão na mesma frase”

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Por que ficamos tristes próximo da meia-noite?

Eu sou a ruína. Aqui sentada em um carro parado entre a estação Pinheiros e a estação Butantã. Não é exagero, mas, uma música seguida da outra é melancólica e eu sinto uma extrema vontade de chorar por horas. Tenho um pequeno lenço em meu bolso traseiro esquerdo, mas não gostaria de usá-lo. Eu poderia facilmente ficar aqui estacionada chorando durante horas a fio ouvindo uma depressão lírica atrás da outra.

O tornozelo dói sem dó. O sapato aperta com ódio. Maldito dia que eu escolhi pra usar sapatos. Sapatos femininos pretos. Eu nunca uso sapatos, são desconfortáveis. Tudo é desconfortável além de tênis e chinelo. Porém, ainda ninguém superou as meias quentes em dias de inverno. Continue lendo “Por que ficamos tristes próximo da meia-noite?”

Mãe, eu sou lésbica e parcialmente feliz.

Lembra aquele dia que você me obrigou a usar um vestido justo e curto e verde de alças finas, e eu chorei como se o mundo fosse acabar numa morte trágica e fatídica, então, mãe?

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Eu – Fragmentada

Tenho sentido vontade de ligar para uma ex namorada só para dizer a ela que lhe desejo toda a felicidade do mundo com seu novo amor.

Tenho sentido vontade de botar uma mochila nas costas e um chinelo nos pés e viajar sobre a areia úmida ou o sertão quente abatido.

Tenho sentido vontade de mergulhar nos braços de mulheres aleatórias e ficar ali até formar um ninho. Continue lendo “Eu – Fragmentada”

Eu – Fragmentada

Opero as emoções

Com cal e pedras duras

Cavando um buraco subterrâneo

Para que a sete palmos eu mesma me enterre.

 

Não consigo romantizar a vida.

Não posso escrever sobre amizade,

Natureza, aurora ou coisas similares.

Isto não é de mim. Jamais.

 

Debulho fome, dor, solidão…

Pentes que já acariciam uma calvície

Vazia de emoções eternas.

 

Sou nada,

Na instancia que tudo sou

Porém, a controvérsia do mundo

Me forma numa completa acentuação

De pessoa sã.

 

Vago…

Milhas terrenas,

Batendo ao solo, solas de pés honrosos

E não há vergonha em minhas derrotas,

Pois toda perda acumulada

Foi uma poesia a mais escrita.

Eu cansei

Não há pipoca para o filme da vida.

Não há Coca Cola ou Guaraná.

Não a jujubas ou chocolates ao leite.

Não há trailer nem spoiler.

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Eu – Fragmentada

Eu reuso todo meu cérebro constantemente para recriar coisas antes perdidas ou fases com nós jamais desfeitos. Às vezes, um trecho, vez ou outra um abismo, mas certamente uma racionalização transcendente de completa aventura.

Hora já fui fogo, chama de queimadura com alto grau de reversão. Hora sou água choca. Hora sou gás de tubaína. Hora sou rocha milenar. Entretanto, não sou santa e nem sou fã de um pau oco.

Dona de meu próprio corpo, fazedora de minhas próprias regras. Negra, lésbica, pobre, feminista, militante, idealizadora, apaixonada, devoradora de livros, escrevente de pensamentos sórdidos, amante da insônia, casada com a depressão, filha de mãe sem pai.

Por hoje é só… até semana que vem no mesmo bate blog!

Eu – Fragmentada

As vezes passo dias sem dormir.

Um eterno tormento.

Lágrimas rolam.

O peito chora.

É só um aviso.

Uma correspondência.

A depressão vem ai…

 

1o anos se passaram, e ela aqui, sentada ao meu lado, namorando comigo. Me acarinhando, me presenteando. Ela faz eu me sentir refugiada e grita o tempo todo na minha cara o quanto eu estou sozinha e que ninguém vai querer me salvar!

Eu vivo num relacionamento abusivo. E a depressão é quem deveria estar presa, não eu. Continue lendo “Eu – Fragmentada”

Eu – Fragmentada

Eu quero a liberdade de ser apenas eu mesma

Até quando eu vier a falhar, eu quero poder ter a autoridade de escolher meu próprio castigo. Será que é pedir demais quando se almeja a liberdade?


Eu tenho cabelos crespos. Mas eu tenho nariz de batata e boca fina. Até já ouvi dizer que se eu não tivesse na melanina estampado a cor ”morena”, jamais meus traços iriam me denunciar e me enquadrar como eu realmente sou; ”negra”. Continue lendo “Eu – Fragmentada”

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