Eu – Fragmentada

Triste estou.

Olho para mãos idosas e gentis sutilmente colocadas em cima de ombros cansados. Ombro e mãos se acompanham enquanto tragicamente são empurrados por uma pilha de corpos jovens e enérgicos. Continue lendo “Eu – Fragmentada”

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Eu – Fragmentada

Copos brilhantes com estampa de unicórnio. Homem negro de joelhos expondo um mini livro de meditação budista. Sapatos verde musgo. Vozes sedentárias chafurdando um milésimo de dignidade no lixo. Continue lendo “Eu – Fragmentada”

Eu – Fragmentada

Tenho um braço roçando nas horas que foram postas sobre a mesa, e estes braços contém um sal amargo, daqueles que deixam a língua reclusa novamente para dentro da boca.

Olho para o reflexo que meus olhos atingem e estes mesmos olhos dão de cara com cílios pulsantes e gentilmente educados. Continue lendo “Eu – Fragmentada”

Eu – Fragmentada

Eu sou o que as traças deixaram para trás

Meticulosamente as ideias se voltam para um casulo oco. Dormem. Auto se nutrem por lembranças ferrenhas. É tudo pendular, constante e interminável. Escuridão. Paredes negras, solo negro, teto negro. Caixinha de sapatos. Sem forro. Sem seda. Guardada num revestimento de madeira falso, horizontalmente embaixo de roupas antigas, furadas, empoeiradas, destroçadas por traças velhas. Continue lendo “Eu sou o que as traças deixaram para trás”

Formule ódio e perdão na mesma frase

Reflito todo esse vazio que sinto com relação às mulheres, de uma forma que explique toda uma ausência afetiva, amorosa, zelosa e cuidadora da qual eu não obtive em minha infância. As mulheres que coloco hoje em minha vida e as quais eu deixei adentrar meu mundo foi um pedido de socorro, ou melhor, um tampa, para que toda a minha falta de um processo infantil burlado, fosse suprido à base de sexo, relações conturbadas, traição, mentiras, lágrimas, abandono e solidão. Continue lendo “Formule ódio e perdão na mesma frase”

Por que ficamos tristes próximo da meia-noite?

Eu sou a ruína. Aqui sentada em um carro parado entre a estação Pinheiros e a estação Butantã. Não é exagero, mas, uma música seguida da outra é melancólica e eu sinto uma extrema vontade de chorar por horas. Tenho um pequeno lenço em meu bolso traseiro esquerdo, mas não gostaria de usá-lo. Eu poderia facilmente ficar aqui estacionada chorando durante horas a fio ouvindo uma depressão lírica atrás da outra.

O tornozelo dói sem dó. O sapato aperta com ódio. Maldito dia que eu escolhi pra usar sapatos. Sapatos femininos pretos. Eu nunca uso sapatos, são desconfortáveis. Tudo é desconfortável além de tênis e chinelo. Porém, ainda ninguém superou as meias quentes em dias de inverno. Continue lendo “Por que ficamos tristes próximo da meia-noite?”

Mãe, eu sou lésbica e parcialmente feliz.

Lembra aquele dia que você me obrigou a usar um vestido justo e curto e verde de alças finas, e eu chorei como se o mundo fosse acabar numa morte trágica e fatídica, então, mãe?

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Eu – Fragmentada

Tenho sentido vontade de ligar para uma ex namorada só para dizer a ela que lhe desejo toda a felicidade do mundo com seu novo amor.

Tenho sentido vontade de botar uma mochila nas costas e um chinelo nos pés e viajar sobre a areia úmida ou o sertão quente abatido.

Tenho sentido vontade de mergulhar nos braços de mulheres aleatórias e ficar ali até formar um ninho. Continue lendo “Eu – Fragmentada”

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