Imprópria para banho

A vejo exposta ao sol da manhã com as nádegas apontadas para o céu azul.
Dou uma bebericada numa cerveja gelada enquanto ouço o mar batendo nas pedras.
Ao longe, barcos vem e vão, vem e vão, vem e vão…

Refletindo sobre a vida e os amores perdidos, penso no tanto de sorte que aquele belo corpo exposto ao sol me trouxe e o quanto de fôlego aos pulmões ainda me restam graças aquele par de olhos negros dóceis, sinceros e gentis. Continue lendo “Imprópria para banho”

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A humanidade e seus glóbulos de besouro

De volta à velha rotina com a humanidade e seus glóbulos de besouro, fincando suas garras nas jugulares infantis.
Lá se vão os pares de bicos de aves silvestres, tentando tagarelar algo coerente, coerente e não muito mortífero.
Rasgo meu próprio peito com lâminas enferrujadas na esperança que um tétano me traga uma morte dolorosa, só assim a vida nestes dias de fúria prevaleceram de algum modo descente. Continue lendo “A humanidade e seus glóbulos de besouro”

Estranhamente

Embaixo das unhas restam finais de meu couro cabeludo. A carcaça que me soma é tão friamente intima que me desfaleço antes de me tornar a própria soma.

Vejo o ar faltar para bem perto das essências dos meus. Beijo iscas de peixes domésticos. Encarcero cadáveres acostumados a comer canibais. Continue lendo “Estranhamente”

Pombos e restos intestinais

Observo os restos de alguém ao chão
Enquanto alguém sonha acordado ao relento
Bem ao lado do vômito frio.

Pés e mãos vêm e vão
Enquanto pombos beliscam lixo biodegradável.

De segundo em segundo a temperatura cai
Juntamente com a garoa fina.

Alguém me aborda e diz:
Sou GreenPeace!

Não sorrio. Não largo meu bloquinho,
Digo apenas: tenho dezessete anos irmão.

Observo meticulosamente patas e bicos
Em trabalho conjunto,
Limpando os restos intestinais de alguém ao chão.

Bengalas de aço fazem teque teque…
Uma carroça de aço é reabastecida com sacos de lixo
Cheios de embalagens industriais e alimentos
Frutos de um desperdício.

Um gole de corote para o corpo
Outro para a alma vazia.

E assim a semana se inicia senhores…

Escrevo para não enlouquecer

Implanto as percepções sobre a vida
em cima de linhas brancas
bordadas de linhas finas pretas,
enquanto vou dançando com o tinteiro
pelos arredores de minha mente. Continue lendo “Escrevo para não enlouquecer”

Minimalismo

Como se sente confortável,

recostada em suas raízes!

Ela é como um vinhedo,

é como as plumas,

uma coisa a mais

dentro da natureza das coisas,

entrelaçada aos seios,

do próprio complexo,

e esse desejo de vida,

gigante, permanente,

que há tudo abocanha

com força de coesão.

 

O nirvana me abraçou e chuviscou na minha orelha

Um batimento cardíaco para dentro do meu tímpano.

Como uma semi-vida, um útero em formação, uma dádiva da vida humana.

Deixo as vazões e me deixo ir, para além do que me transcende…

A janela oposta às costas nuas deixa um horizonte mais verde quando tudo o que você tem é a cinzura.

Tudo esta na pele, no cheiro e na textura. Tudo é pele que reveste. Pele que habita.

Se os corpos habitam a pele, que eu possa morar na pele dela.

Um colo, um assopro um arrepio. É tudo o que peço, mais que isso; imploro.

Quando os cachos negros cheios de brilho, chuvisca no canto da boca, nos olhos e nas orelhas, é um sinal que estou próxima do nirvana.

As rupturas se fazem e as barreias se solidificam. Eu vazo. Escorro e paro; bem diante do peito dela.

Onde estão os porcelanatos?

Eu ocupo toda a extensão de mim para que eu mesma não me perca. A minha namorada me diz: “Amor”. A minha consciência me diz: “Solitária”.

Neste exato momento minha barriga ruge, o farol para diante o vermelho dos estereótipos e eu ouço sirenes preventivas cheirando minha própria face.

No meio eu me perco. Paro. Restauro algo seminovo. Não posso deixar com que a arte do desejo vença. Detalhes. Ponha as regras diante das circunstâncias.

Você pode deixar as digitais compadecerem enquanto os olhares dizem toda uma confissão de algo terrestre? Um bom punhado. Uma quantidade de ouro e pó.

Eu sempre seguro firme os corrimãos enquanto subo sem fôlego. As portas sempre me permitem dependurar quando as passagens forem obstruídas. Cavo. Escavo.

Você rouba meus anos melhores. A vida é só uma traça. Polvos me abraçam mais forte que minha própria mãe e isso me deixa na tristeza. Triste. Infeliz à beça.

Neste canal os amendoins se juntam em forma de paçoca e eu limpo as resinas com minha língua senil e calejada. Falo demais. Penso demais. E eu, sinto?

No meio é uma grande viajem. Roupas amassadas demais para serem passadas. Activia demais para ser tomado. Onde estão os porcelanatos quando necessitamos?

Logradouro: Liberdade

Trago cigarros; não fumo.

Quero perder as pernas; possivelmente.

Doce, bala, cannabis; preciso.

Roubamos o capital; intelectualmente.

Psicologia e Serviço Social; disputando o pão.

A depressão; o mal do século.

Irmãos; fora do termo transgênero.

Vômito; verde e cor de malte.

O conhecer feminino; de óculos e ilustração.

Gados alienados; fragmentados na ignorância.

Pão e vinho; vinte e sete anos.

O gato solta os pelos; nos sentamos em cadeiras demarcadas.

Florata; nas golas e no pulso.

Dialética histórica materialista; como vai seu marxismo?

Perdi o botão da blusa; barriga saliente à mostra.

Frio desajustado; sofrido por meus braços nus.

Dinossauros; verdes com bordas pretas.

Paredes apagadas; ontem canetões azuis em palavras de protesto.

Cueca à mostra; ideologia cinematográfica.

Japonês – food; dez dilmas o P.

Logradouro; liberdade.

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