Minimalismo

Como se sente confortável,

recostada em suas raízes!

Ela é como um vinhedo,

é como as plumas,

uma coisa a mais

dentro da natureza das coisas,

entrelaçada aos seios,

do próprio complexo,

e esse desejo de vida,

gigante, permanente,

que há tudo abocanha

com força de coesão.

 

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O nirvana me abraçou e chuviscou na minha orelha

Um batimento cardíaco para dentro do meu tímpano.

Como uma semi-vida, um útero em formação, uma dádiva da vida humana.

Deixo as vazões e me deixo ir, para além do que me transcende…

A janela oposta às costas nuas deixa um horizonte mais verde quando tudo o que você tem é a cinzura.

Tudo esta na pele, no cheiro e na textura. Tudo é pele que reveste. Pele que habita.

Se os corpos habitam a pele, que eu possa morar na pele dela.

Um colo, um assopro um arrepio. É tudo o que peço, mais que isso; imploro.

Quando os cachos negros cheios de brilho, chuvisca no canto da boca, nos olhos e nas orelhas, é um sinal que estou próxima do nirvana.

As rupturas se fazem e as barreias se solidificam. Eu vazo. Escorro e paro; bem diante do peito dela.

Onde estão os porcelanatos?

Eu ocupo toda a extensão de mim para que eu mesma não me perca. A minha namorada me diz: “Amor”. A minha consciência me diz: “Solitária”.

Neste exato momento minha barriga ruge, o farol para diante o vermelho dos estereótipos e eu ouço sirenes preventivas cheirando minha própria face.

No meio eu me perco. Paro. Restauro algo seminovo. Não posso deixar com que a arte do desejo vença. Detalhes. Ponha as regras diante das circunstâncias.

Você pode deixar as digitais compadecerem enquanto os olhares dizem toda uma confissão de algo terrestre? Um bom punhado. Uma quantidade de ouro e pó.

Eu sempre seguro firme os corrimãos enquanto subo sem fôlego. As portas sempre me permitem dependurar quando as passagens forem obstruídas. Cavo. Escavo.

Você rouba meus anos melhores. A vida é só uma traça. Polvos me abraçam mais forte que minha própria mãe e isso me deixa na tristeza. Triste. Infeliz à beça.

Neste canal os amendoins se juntam em forma de paçoca e eu limpo as resinas com minha língua senil e calejada. Falo demais. Penso demais. E eu, sinto?

No meio é uma grande viajem. Roupas amassadas demais para serem passadas. Activia demais para ser tomado. Onde estão os porcelanatos quando necessitamos?

Logradouro: Liberdade

Trago cigarros; não fumo.

Quero perder as pernas; possivelmente.

Doce, bala, cannabis; preciso.

Roubamos o capital; intelectualmente.

Psicologia e Serviço Social; disputando o pão.

A depressão; o mal do século.

Irmãos; fora do termo transgênero.

Vômito; verde e cor de malte.

O conhecer feminino; de óculos e ilustração.

Gados alienados; fragmentados na ignorância.

Pão e vinho; vinte e sete anos.

O gato solta os pelos; nos sentamos em cadeiras demarcadas.

Florata; nas golas e no pulso.

Dialética histórica materialista; como vai seu marxismo?

Perdi o botão da blusa; barriga saliente à mostra.

Frio desajustado; sofrido por meus braços nus.

Dinossauros; verdes com bordas pretas.

Paredes apagadas; ontem canetões azuis em palavras de protesto.

Cueca à mostra; ideologia cinematográfica.

Japonês – food; dez dilmas o P.

Logradouro; liberdade.

Me leia, despreze e me queime

Estou posta aqui como flores em vasos compridos

e cartas com destinatários ilegíveis.

Tudo o que eu busco é um sorriso perdido,

do modo que o mesmo pouse na simplicidade das coisas gratuitas.

Um par de olhos me enviaram raios,

raios fragilizados e sofridos.

Quantas percas de desejos nos forçaremos a ter

até que possamos dizer aos outros

que desejamos repousar em seus sorrisos?

A chuva escorre sobre meus pés,

lambuzando de terra meu corpo semi-asfaltado.

Questiono-me,

até que horas poderemos burlar as crateras emocionais que nos impomos?

Vaso com flores e cartas,

te envio partes de mim num todo,

para que me abra, folheie, despreze e me queime.

 

A cor do meu maço de câncer

Eu me pondero em pequenas partes, assim nada será tão grandioso o bastante que não possa ser derrotado.

Versículos em mim se fazem, enquanto eu traço rotas para soberanias inexistentes.

Você pode prever quando será o estardalhaço do próximo declínio?

Eu me recuo. Em grades cinza. Em calabouços molhados e frios.

Vagarosamente sou pó. Gota por gota sou película fina de camada transparente.

Eu não deixo você me ver. Um arranha céu é morada. Um vinho é partida.

No solo um rádio.
No rádio um solo.
Enquanto eu não músico,
Mas eu; literário.

Como você me enxerga, quando na noite eu broto do teu maço de câncer tão só?

Amor dê Amora

Mansa. Quieta. Frutífera. Apavorada.

Um colo que não pertence a nenhum acalanto. Pedinte de olhares ausentes de semi serrados. Uma palavra já não basta para pôr a ceia que a mesa tanto vaga, afoga-se em prantos doloridos.

Uma casca, flor, sementes.
Uma faísca para uma breve despedida de sol, em dias de terça-feira insonsa.

Acorda em preces. Dorme em orações clamorosas. Espreita. Berra. Madruga só…

Os rituais são bélicos, transeuntes de memórias espessas – geleias de amora.

Amor? Amora! Dê.

Um jogo falho, pulando sempre dois dados, voltando sempre três casas. Mas, acabando presa em seu próprio martelo desajuizado.

Liberdade para quem somos. Liberdade para quem nos aconchega. Liberdade para quem nos parte. Liberdade para escolhermos ser girassois.

Um dia o trigo lhe rega
Noutro, um poema lhe rega
Até onde vai teu cabide de flores?

Quase transparente. Fria. Rude. Menina.

Ontem eu aqui no seu beiral, os galos cantantes anunciadores das manhãs mornas, teus afilhados aos gritos mundanos, o coito a base da lua, o suor da minha pele negra, as línguas sugadas como ralos de pia, as mágoas precoces antes da janta e as despedidas que nunca se concretizam.

Olhar a ti é fácil, pecado é não te deixar rimar. Não arder em cólera. Beber pouco vinho nas tardes de intenso tráfego. Sentar a mesa te assistindo mastigar corações de galinhas mortas infincadas em espetos de prata. Atrasar dois segundos de compromisso. Gaguejar na oratória. Torrar os olhos com o sol das montanhas. Cuspir feijoada durante seis horas num sábado de samba.

Teu vasinho cresce ou tuas florzinhas cantam?

Quem te cabe?

Me deixe ser a luz

Ei, tire os teus olhos cansados e os coloque para secar na janela.
Deixe com que a atmosfera da vida desamasse essa tua alma amassada.
Permita que teus ossos sintam um abraço daqueles que quebram saudades.

Ei, cuspa essa tua sorte que você insiste em mastigar feito carvão.
Não se preocupe com os fracassos do tempo.
Nem faça da chuva tua maior rival.

Ei, porque você insiste em esconder seu sorriso?
Por que você deixa teu coração andar cabisbaixo?
Por que você nunca deixa a esperança bater em sua porta?

Ei, o medo é aliado dos sonhos.
Mas sempre que você se sentir insegura,
Tente voar o mais alto que tua imaginação conseguir.

Ei, você sabe por que eu ainda estou aqui?
Por que ainda permaneço,
Mesmo você me trancando pra fora da sua vida?

Exato.
Eu sou a própria luz que você insistiu em apagar um dia.
Mesmo que a escuridão se faça presente
É só você clamar por uma salvação e eu logo irei resgatá-la.

Ei, coloque para dormir estes ombros cansados.
Tire os sapatos e deixe a natureza agir sobre seus pés.
Depois me confidencie,
Se teu único amor
Não é de fato tua jornada espiritual de sorte.

Com amor,
A luz que nunca te apagará.

Sem medo de TEMER

Ontem eu não tive medo de chorar ao dizer que te amava.

Ontem eu não tive medo de dizer que sinto sua falta.

Ontem eu não tive medo de dizer tudo o que você representa pra mim.

Ontem eu não tive medo de andar de mãos dadas.

Ontem eu não tive medo de andar abraçada.

Ontem eu não tive medo de te beijar depois de muito tempo.

Ontem eu não tive medo do pôr do sol acabar.

Ontem eu não tive medo de dormir no seu ombro.

Ontem eu não tive medo de não conseguir te escrever.

Ontem eu não tive medo de ficar esperando você chegar.

Ontem eu não tive medo de sentir frio.

Ontem eu não tive medo de te paquerar.

Ontem eu não tive medo de dizer que queria fazer amor com você.

Ontem eu não tive de saber que você já está em outra.

Ontem eu não tive medo do seu abandono.

Ontem eu não tive medo de você.

Ontem eu não tive medo pela gente.

Ontem eu não tive medo de você dizer que me odeia.

Ontem eu não tive medo de ouvir você dizendo adeus.

Ontem eu não tive medos.

Ontem eu tive coragem de te dizer o que eu sinto, sem medo de ser apenas eu.

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