Pés de Dody

Você vai embora e me deixa aos prantos.

Caminha de forma desuniforme entre o sol e as sombras.

Vejo seus pés se curvarem para dentro,

Enquanto você automaticamente sorri envergonhada.

Meus ombros caem sozinhos,

Deixo os pulmões respirarem aliviados,

Me permito sorrir…

O nariz entope do lado direito.

Passo o olho rapidamente em dois livros de psicologia.

Dou uma piscada para Henry.

Arroto um pastel inteiro de carne com ovo.

Agora deixo minhas mãos caírem em cima de telas de proteção.

Olho… Olho… Olho… Olho…

Até minha boca dizer em tom sonoro: Te amo.

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Imbecialidade emocional

Prego estilhaços em meus próprios punhos, pensando no quanto me despuz aos caprichos seus.

Corpos aos montes passam em formato de foguete por minhas retinas preocupadas e sorrateiramente deixo franzir a testa em tom de calamidade.

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Sobre: Ligações, Cafés e Poemas Espanhóis

Tomando um café de 7.90, de costas para uma avenida, de frente para uma mulher de cabelos brancos.

– Anseio por uma ligação sua!

Ônibus lotado numa garoa fina com a Av. Paulista parada.

– Anseio por uma ligação sua!

Leio um livro de poemas espanhóis; O sol da tarde, de Adriana Lagrasta. Passo o olho em oito poemas e depois escrevo uma poesia sobre “você”.

– Anseio por uma ligação sua!

No fim da noite estou de pé em frente ao vidro de sua sala com as mãos nos bolsos: só esperando achar teus olhos.

– Desapeguei das ligações que nunca vieram!

Poeminha de leve

De trás observo teus olhos de piche. Tua boca pintada. Teu corpo em formas.

Juro que tento, mas não consigo desviar meus olhos curiosos e observadores de tudo aquilo que em ti se forma.

Você é rosa: desabrocha, desabrocha, desabrocha…

Hora é dona de todas as cores.
Hora é refém de todos os caules.

Tudo em você é mistério casado com novidade. E eu acho isso tão intrigante. Acho isso tão poético.

Hoje só te vi em segundos breves, mas foi o suficiente para escrever um breve poema.

Por que matamos as madrugadas?

Seu tom. Sua fala. Sua forma.

Gosto quando gastamos tempo topando o encontro de nossos olhos.
Você é tão mais real. Você é tão mais palpável.

E eu gosto do modo como você sorri tímida. E eu gosto do modo quando você ri de uma piada.

Mesmo através do tórax, eu consigo ver o ritmo de como seu coração toca. E às vezes ele toca descompasso. E às vezes ele toca sereno. E às vezes ele não toca.

Há tanto brilho nisso tudo. Mas também tem uma puta saudades. Sinto falta quando adentrávamos as madrugadas.

Por fim… Só gostaria mesmo de dizer que sinto falta quando eu tinha um minuto a mais de você.

Pena que o tempo passa.
Pena que o tempo voa.

Presunto, corote de pêssego e infelizmente você

Picoto presuntos e queijo com facas cegas demais para beberem sangue. Continue lendo “Presunto, corote de pêssego e infelizmente você”

É menino ou menina?

Ao chão; crespos fios dão trabalho às cerdas de uma vassoura senil e gasta.

Ouço o barulho da máquina ao pé de meu ouvido enquanto me olho no espelho tentando burlar os milhares de fios que adentram meus olhos e nariz.

Ao fundo de mim existe lábios em tons repetitivos, e eles dizem: você está linda, você está linda, você está linda…

Pagode toca na tela. Mãos ágeis cortam de mim uma grande porção de inseguranças.

Me levanto. Toco o topo de minha cabeça. Sinto o ar passar de forma leve. Uma superfície lisa. Uma superfície menos feminina.

Posso observar os olhos alheios e eles optam por praticar olhadas curiosas.

É menino?
É menina?
Que coisa é?

Me sento ao lado do sol em bancos de plástico. Ouço o despertar de um sonho. Lágrimas mútuas rolam. Uma nova chance para novo fôlego nasce.

Topo com o espanto materno. E o materno desvia os olhos de mim. E o materno não fica feliz com minha pequena porção de liberdade subjetiva.

Escurece. Volto a me olhar no espelho tentando definir: O que é ser lésbica?
Sou mulher. Preta. Pobre. Lésbica.

Olho eu mesma num reflexo que antes jamais me cabia. Apalpo o pouco que restou dos crespos fios. Aliso a minha “famigerada feminilidade” mais cedo jogada fora.

Sorrio um riso leve.

A temperatura dos corpos suburbanos ultrapassa os mil graus Celsius.

Em mim: fragmentos de identidade.

A estação das flores

De longe avisto seu meio braço. No meio de nós, havia uma multidão de corpos e, infelizmente seus olhos não toparam com os meus.

Depois das escadas encosto meu dorso na parede. Fico toda posuda, esperando que você me note.

Sorrio. Você me sorri. Sorrimos.
E então nossos corpos se tocam, nossas peles se tocam. E eu posso sentir o calor do seu corpo, mesmo você estando com pressão baixa.

Fazia um tempo que eu não ouvia sua voz. Sim, ela continua doce.

Numa esquina me despeço. Te olhando sempre nos olhos, contemplando você observar o meu reflexo.

Espero que nós possamos tomar algo gelado mesmo nos dias de chuva.
Como nos velhos tempos.

Outono que fala né. A estação das flores secas?

Ausência de lua

Os olhos são raios ao mesmo tempo que são sopros. E ao mesmo tempo que pousa eles já batem asas para voar.

E você se pega pensando o que é felicidade, mas então você chega a conclusão que felicidade é algo muito relativo.

E então você entorta a cabeça para trás e se vê bem de baixo de uma grande árvore histórica, e ela também te olha através de todos aqueles galhos e raízes. De repente, você quer fazer parte de toda aquela extensão, você quer se auto projetar para dentro de toda aquela vida infrutífera.

O céu não tem estrelas. Há também, ausência de lua.

Eu não sei bem que peso carrego hoje no peito, mas sei que, ele não está tão pesado a ponto de eu não conseguir caminhar…

Mulheres me notam em frações de segundos. Tenho as duas mãos nos bolsos. Uma bolsa “masculina” transpassada em meus seios. Um caminhar leve e sereno. Um belo sorriso escondido atrás de minha outra face.

Mulheres me estudam sorrateiramente.

Sorrio para uma mulher negra que me olhava por detrás da multidão, ela trazia um sorriso encarcerado: sorrimos ambas.

As portas se fecham em acordes de sirene. “Cuidado entre o trem e a plataforma”.

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