Quantas calçadas formam o lar de um esquecido?

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Você consegue definir essa questão?

Ponto e virgula ;

– Não vai embora.

– Como eu poderia?

– Como eu poderia partir, sem nunca ter ficado?

– Como eu poderia abandonar, sem nunca ter morado?

Eu deixo você ir…

Você me deixa ir…

Talvez se fossemos radicais seria mais fácil.

Se colocássemos um ponto ao invés de reticências…

Naquela mesa sugerimos: um ponto e uma vírgula

Talvez tatuássemos até, como todos fazem.

Um ponto e uma vírgula,

Exatamente no pulso direito.

Eu odeio historias com reticências…

Todos os meus outros relacionamentos foram assim e não deram certo,

Esse agora não seria exceção.

Talvez fosse o caso de colocar um ponto, ser radical.

Nada de tatuagens

Nada de lágrimas

Nada de lenços para enxugar sua saudade.

É engraçado, você senta bem diante de mim e diz

Que eu sou a pessoa mais incrível que você já conheceu.

Mas sabe?

Eu não acredito mais em você.

 

 

 

As guerras que travamos sem necessidade

Os lábios beijados no canto da boca se tornam um oficio da conquista manipuladora. Os olhos são mísseis que obrigam você a entregar a guerra. Às vezes estamos diante da terceira guerra mundial, brincando com a barricada de proteção das propriedades alheias.
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O jardineiro e sua tesoura

O jardineiro caminha no meio da multidão com sua tesoura de podar flores.

Trás em uma das mãos, uma toalha ensanguentada, cobrindo um ferimento profundo.

Alonga-se enquanto seus fones se encaixam nas orelhas e os raios de sol atravessa sua boina cor de carne.

Lá se vai o jardineiro, com sua mão negra escorrendo sangue.

Cabeças rolaram bem diante de minhas vistas. O jardineiro desapareceu.

Olho-me no reflexo e tudo o que eu vejo é o jardineiro abrindo um pequeno caderno de mão com revestimento vermelho e um botão dourado.

O observo…

Retiro da mochila o meu caderninho de mão: escrevo sobre o jardineiro; mentalizando sua tesoura, sendo segurada por uma das mãos.

Minimalismo

Como se sente confortável,

recostada em suas raízes!

Ela é como um vinhedo,

é como as plumas,

uma coisa a mais

dentro da natureza das coisas,

entrelaçada aos seios,

do próprio complexo,

e esse desejo de vida,

gigante, permanente,

que há tudo abocanha

com força de coesão.

 

Existe uma mesa com papéis, livros e uma lareira apagada

Cara, amada minha.

 

O fogo invisível queima o restante do que ainda me sobra. Desenlaço as outras cartas por correspondência e as jogo em cima de minha bagunça descontrolada, casando as cartas com os papéis rascunhados, livros e meia garrafa de Domecq.

Por aqui quase beiramos a primavera, porém o sol arde como a brasa do inferno. Não há lenços o suficiente para sugar o suor do buço, nem cuecas que não transpirem mais do que maratonistas em dia de São Silvestre. Tudo aqui caminha de uma forma meio réptil… Os dias rastejam como cobras traiçoeiras e picam tão duido como os escorpiões da África. Uma grande selva árida generalizada, entende? Continue lendo “Existe uma mesa com papéis, livros e uma lareira apagada”

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