Eu – Fragmentada

Copos brilhantes com estampa de unicórnio. Homem negro de joelhos expondo um mini livro de meditação budista. Sapatos verde musgo. Vozes sedentárias chafurdando um milésimo de dignidade no lixo. Continue lendo “Eu – Fragmentada”

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PROJETO FOTOGRÁFICO 6 ON 6 |OUTONO

Outono, a estação das flores secas. Coincidentemente, por aqui o sol brotou meio morno, dias e mais dias consecutivos de chuva e felizmente horas de sobra para apreciar a quentura do chá juntamente com a leitura de matrizes africanas, visitar instalações infestada de abandono e lixo, pisar em flores alaranjadas com os pés secos e rachados e ainda dormir com Alighieri em punho.  Continue lendo “PROJETO FOTOGRÁFICO 6 ON 6 |OUTONO”

A estação das flores

De longe avisto seu meio braço. No meio de nós, havia uma multidão de corpos e, infelizmente seus olhos não toparam com os meus.

Depois das escadas encosto meu dorso na parede. Fico toda posuda, esperando que você me note.

Sorrio. Você me sorri. Sorrimos.
E então nossos corpos se tocam, nossas peles se tocam. E eu posso sentir o calor do seu corpo, mesmo você estando com pressão baixa.

Fazia um tempo que eu não ouvia sua voz. Sim, ela continua doce.

Numa esquina me despeço. Te olhando sempre nos olhos, contemplando você observar o meu reflexo.

Espero que nós possamos tomar algo gelado mesmo nos dias de chuva.
Como nos velhos tempos.

Outono que fala né. A estação das flores secas?

Eu – Fragmentada

Tenho um braço roçando nas horas que foram postas sobre a mesa, e estes braços contém um sal amargo, daqueles que deixam a língua reclusa novamente para dentro da boca.

Olho para o reflexo que meus olhos atingem e estes mesmos olhos dão de cara com cílios pulsantes e gentilmente educados. Continue lendo “Eu – Fragmentada”

Ausência de lua

Os olhos são raios ao mesmo tempo que são sopros. E ao mesmo tempo que pousa eles já batem asas para voar.

E você se pega pensando o que é felicidade, mas então você chega a conclusão que felicidade é algo muito relativo.

E então você entorta a cabeça para trás e se vê bem de baixo de uma grande árvore histórica, e ela também te olha através de todos aqueles galhos e raízes. De repente, você quer fazer parte de toda aquela extensão, você quer se auto projetar para dentro de toda aquela vida infrutífera.

O céu não tem estrelas. Há também, ausência de lua.

Eu não sei bem que peso carrego hoje no peito, mas sei que, ele não está tão pesado a ponto de eu não conseguir caminhar…

Mulheres me notam em frações de segundos. Tenho as duas mãos nos bolsos. Uma bolsa “masculina” transpassada em meus seios. Um caminhar leve e sereno. Um belo sorriso escondido atrás de minha outra face.

Mulheres me estudam sorrateiramente.

Sorrio para uma mulher negra que me olhava por detrás da multidão, ela trazia um sorriso encarcerado: sorrimos ambas.

As portas se fecham em acordes de sirene. “Cuidado entre o trem e a plataforma”.

A título de saudades

Seus cabelos tinham um brilho bonito. Tinha toda uma forma de árvore frutífera.

Olhei para seus seios num total de três vezes. E em todas eu quis chupa-los.

Um jeans azul colado em seu corpo é uma boa forma. Confesso, senti vontade de tocar sua bunda.

Eu tive de sair correndo. Com pressa para pagar boletos bancários. Mas você me prendeu por mais de 3 segundos, apenas olhando nos meus olhos.

Atravessei a cidade. Escrevi uma nova história. Mas agora estou aqui, sentada ao lado de dois desconhecidos, “pensando em você e no seu corpo cheio de formas particulares, que eu tanto deito, que eu tanto amo, que eu tanto choro.”

No calendário: 07 de março de 2018

Nas lacunas em que me encontro, tento me autossustentar com vigas fortes o bastante. Mas infelizmente, tenho pés frágeis demais para caminhar. Continue lendo “No calendário: 07 de março de 2018”

Em quantos corpos fomos nós?

Um rosto em febre nas mãos que tanto perambulam por tracejados opostos. Tudo se afunila no decorrer que os dedos seguem, ora desliza na testa, hora esbarra nos olhos.

Ao fundo, o amarrotado do que a meia hora fomos. Ali, bem atrás de nós, existe um pouco do que o mundo nos consome. Existe pernas bambeadas pelo desprazer, ao mesmo tempo em que são sustentadas por fuligens de nossos pelos ralos e pretos. E há um bocado de braços dentro de abraços urgentes, porém, desgarrados demais para voar.

Conto as ilhas perdidas que nascem de sua cintura enquanto você tenta me inflar feito balão. Hoje aqui atingimos picos altos, altos demais para serem descidos.

Anulo meus pensamentos para derramar em você um corpo: inerte, quente, vazio. De olhos fechados posso ver você despejar a mesma inércia sobre mim.

Contemplamos nossa existência denominada; saudades. E assim ficamos por horas, sem partir…

Hoje: chuva, café, cólica, solidão.

PROJETO FOTOGRÁFICO 6 ON 6 | MINHAS MANHÃS

Não tenho uma rotina mercadológica. Não acordo ao som do galo e pego transporte público lotado. Não me sento a mesa e degusto um café da manhã farto. Não celebro os raios de sol e digo bom dia ao novo dia que se aconchega. Eu apenas perambulo no quadrado do meu: quarto-espaço-criativo, tomo meu próprio café da manhã a base de álcool, leio meus livros aleatoriamente e aprecio um pouco da humanidade da sacada.

Devo confessar que tenho sérios problemas com as manhãs… Vez ou outra, acordo odiosa do mundo, vez ou outra, acordo pronta para vencer a maratona de minha própria vida. Continue lendo “PROJETO FOTOGRÁFICO 6 ON 6 | MINHAS MANHÃS”

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