Imbecialidade emocional

Prego estilhaços em meus próprios punhos, pensando no quanto me despuz aos caprichos seus.

Corpos aos montes passam em formato de foguete por minhas retinas preocupadas e sorrateiramente deixo franzir a testa em tom de calamidade.

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Poeminha de leve

De trás observo teus olhos de piche. Tua boca pintada. Teu corpo em formas.

Juro que tento, mas não consigo desviar meus olhos curiosos e observadores de tudo aquilo que em ti se forma.

Você é rosa: desabrocha, desabrocha, desabrocha…

Hora é dona de todas as cores.
Hora é refém de todos os caules.

Tudo em você é mistério casado com novidade. E eu acho isso tão intrigante. Acho isso tão poético.

Hoje só te vi em segundos breves, mas foi o suficiente para escrever um breve poema.

Por que matamos as madrugadas?

Seu tom. Sua fala. Sua forma.

Gosto quando gastamos tempo topando o encontro de nossos olhos.
Você é tão mais real. Você é tão mais palpável.

E eu gosto do modo como você sorri tímida. E eu gosto do modo quando você ri de uma piada.

Mesmo através do tórax, eu consigo ver o ritmo de como seu coração toca. E às vezes ele toca descompasso. E às vezes ele toca sereno. E às vezes ele não toca.

Há tanto brilho nisso tudo. Mas também tem uma puta saudades. Sinto falta quando adentrávamos as madrugadas.

Por fim… Só gostaria mesmo de dizer que sinto falta quando eu tinha um minuto a mais de você.

Pena que o tempo passa.
Pena que o tempo voa.

Presunto, corote de pêssego e infelizmente você

Picoto presuntos e queijo com facas cegas demais para beberem sangue. Continue lendo “Presunto, corote de pêssego e infelizmente você”

A estação das flores

De longe avisto seu meio braço. No meio de nós, havia uma multidão de corpos e, infelizmente seus olhos não toparam com os meus.

Depois das escadas encosto meu dorso na parede. Fico toda posuda, esperando que você me note.

Sorrio. Você me sorri. Sorrimos.
E então nossos corpos se tocam, nossas peles se tocam. E eu posso sentir o calor do seu corpo, mesmo você estando com pressão baixa.

Fazia um tempo que eu não ouvia sua voz. Sim, ela continua doce.

Numa esquina me despeço. Te olhando sempre nos olhos, contemplando você observar o meu reflexo.

Espero que nós possamos tomar algo gelado mesmo nos dias de chuva.
Como nos velhos tempos.

Outono que fala né. A estação das flores secas?

Teus lenços coloridos em mim são laços cinza

Aos teus olhos procuro mesmo que imersa em medo. E uma tela não é o bastante para me deixar tão distante da tua presença.

Sigo os rastros de minha memória e tudo me leva as cores que você fez brotar em meus dias cinzas. E eu tinha um milhão de abismos mas você me fez saltar de todos eles e ainda sair viva com mais dois goles de esperança.

Uma tempestade nos varreu para o esquecimento. De longe avisto você gargalhar com piadas que não são minhas, e então eu te imagino reordenando os temperos da vida dentro da panela de outra mulher.
Isso é agradável, afinal, por um milésimo de segundos posso te ver novamente sorrir e isso é tão lindo.
Mais dói… Mais arde… Mais nunca cicatriza rápido o bastante.

Então os dias vêm e te varrem para debaixo de mim, e ainda posso sentir você se eu olhar para o sol do auto de um prédio cinza.

E então a chuva vai as 16:54 da tarde e eu penso em toda gota que já tomamos juntas nas tardes que a previsão era mais de 30 graus.

Uma bela roda de mulheres.
Um belo lenço colorido em seus cabelos.
Uma bela tarde de domingo.
Um belo novo amor nos teus dias de verão.

Poesia sobre: Como não Amar

Um aceno guardado no bolso cheio de febre.

Um sorriso miúdo cansado de esperar pela arte dos encontros.

E ali havia tantos rostos e tantas vozes, mas por dois segundos tudo pareceu tão desabitado.

E os cabelos molhados combinavam com a blusa bege e o short preto.

Nu. Estava eu.
Entregue a passagem dela.

Tão depressa passou os olhos e eu sem pretensões acabei cuspindo um coração inteiro de esperanças fora.

Desejei afogar-me ao mar.

As costas dela não mudaram, continuam como sempre, tão fortes. Enquanto meus pés ganharam um tom de fragilidade.

Eu tive medo da dor esculpir em mim o nome dela.

Nossa, se ela soubesse quantas vezes eu me sentei à mesa sozinha antes do café.

Quantas vezes eu passei pela mesma praça contando os mesmos traços de hormônios e urina lembrando da gente nos domingos da vida.

Quantas vezes eu reencontrei um passado com nome de 2009.

Quantas vezes eu liguei pro mesmo número sem mesmo começar a discar.

Quantas vezes eu vi os traços do rosto dela acoplados num monte de corpos sem alma.

Fazia sol.

O cenário era praiano.

Você com seu novo amor, hetero.
Eu com meu novo amor, homossexual.

Nós depois de sete anos no primeiro dia do ano de 2018.

F-E-L-I-C-I-D-A-D-E-S.

A arte causada por tubos de tela

Há telas sem rostos.
Há telas sem gosto.
Há telas e telas…

Enquanto botamos na ponta da fronha o sabor da lembrança sem gosto, nada formamos além de caroço em línguas infestadas de calo.

E carvão não é tão quente a ponto de queimar nossas essências.

Há telas sem rostos.
Há telas sem gosto.
Há telas e telas…

E nossa própria caricatura ri de forma escrachada do produto minguado que somos.

E nos taca sal.
E nos taca água de pia.
E nos comem o rabo.

Deus que vida injusta é essa que me deixou seguir passagem?
Será que não consegue ver que minha mochila não é de viagem?

Há telas sem rostos.
Há telas sem gosto.
Há telas e telas…

Pela libertação da arte dos tubos, eu luto…

Resistência à morte ontem de mim um tanto velha.

O perigo e o paraíso é isso, são esses vértices de telas e ondas.

Nada muito apetitoso, mas uma bela imagem de fome incorrespondida.

Por enquanto serve?

Breve.

Macacos sem rabo e dedos polegares

Enquanto eu envelheço o meu próprio corpo com o preço da carne as estações vão se modificando e o resgate prometido nunca volta.

E eu tento olhar para o sol sem óculos escuros e ainda assim posso ver que o calor do ar nada tem a ver com os raios solares e sim com o calor dos corpos.

Às vezes sigo filas de modo triste da mesma maneira que outro olhar triste segue filas enormes e eu me canso, mas infelizmente há outras pessoas que apenas seguem em frente aguardando suas senhas serem chamadas.

E alguém me resume o mundo na incógnita buceta da mulher, como se a grande origem começasse nos grandes lábios e o apocalipse terminasse no clitóris.

É difícil apontar para a humanidade mostrando por onde seguir, uma vez que ninguém de fato viu o tal Jesus andando sobre as águas.

E a humanidade tem febre. E essa febre ultrapassa os mil graus celsius.
E ninguém sabe qual a droga envelopada certa para diminuir suas temperaturas.

Dedos são mísseis.
Olhos são bombas.

Você já parou pra observar o som que a chuva faz quando respinga em sua pele?

Não?

Então você ainda não sabe como tirar proveito do mundo.

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