Minimalismo

Como se sente confortável,

recostada em suas raízes!

Ela é como um vinhedo,

é como as plumas,

uma coisa a mais

dentro da natureza das coisas,

entrelaçada aos seios,

do próprio complexo,

e esse desejo de vida,

gigante, permanente,

que há tudo abocanha

com força de coesão.

 

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Onde estão os porcelanatos?

Eu ocupo toda a extensão de mim para que eu mesma não me perca. A minha namorada me diz: “Amor”. A minha consciência me diz: “Solitária”.

Neste exato momento minha barriga ruge, o farol para diante o vermelho dos estereótipos e eu ouço sirenes preventivas cheirando minha própria face.

No meio eu me perco. Paro. Restauro algo seminovo. Não posso deixar com que a arte do desejo vença. Detalhes. Ponha as regras diante das circunstâncias.

Você pode deixar as digitais compadecerem enquanto os olhares dizem toda uma confissão de algo terrestre? Um bom punhado. Uma quantidade de ouro e pó.

Eu sempre seguro firme os corrimãos enquanto subo sem fôlego. As portas sempre me permitem dependurar quando as passagens forem obstruídas. Cavo. Escavo.

Você rouba meus anos melhores. A vida é só uma traça. Polvos me abraçam mais forte que minha própria mãe e isso me deixa na tristeza. Triste. Infeliz à beça.

Neste canal os amendoins se juntam em forma de paçoca e eu limpo as resinas com minha língua senil e calejada. Falo demais. Penso demais. E eu, sinto?

No meio é uma grande viajem. Roupas amassadas demais para serem passadas. Activia demais para ser tomado. Onde estão os porcelanatos quando necessitamos?

Me leia, despreze e me queime

Estou posta aqui como flores em vasos compridos

e cartas com destinatários ilegíveis.

Tudo o que eu busco é um sorriso perdido,

do modo que o mesmo pouse na simplicidade das coisas gratuitas.

Um par de olhos me enviaram raios,

raios fragilizados e sofridos.

Quantas percas de desejos nos forçaremos a ter

até que possamos dizer aos outros

que desejamos repousar em seus sorrisos?

A chuva escorre sobre meus pés,

lambuzando de terra meu corpo semi-asfaltado.

Questiono-me,

até que horas poderemos burlar as crateras emocionais que nos impomos?

Vaso com flores e cartas,

te envio partes de mim num todo,

para que me abra, folheie, despreze e me queime.

 

A cor do meu maço de câncer

Eu me pondero em pequenas partes, assim nada será tão grandioso o bastante que não possa ser derrotado.

Versículos em mim se fazem, enquanto eu traço rotas para soberanias inexistentes.

Você pode prever quando será o estardalhaço do próximo declínio?

Eu me recuo. Em grades cinza. Em calabouços molhados e frios.

Vagarosamente sou pó. Gota por gota sou película fina de camada transparente.

Eu não deixo você me ver. Um arranha céu é morada. Um vinho é partida.

No solo um rádio.
No rádio um solo.
Enquanto eu não músico,
Mas eu; literário.

Como você me enxerga, quando na noite eu broto do teu maço de câncer tão só?

“E agora baby… Porque você se foi?

“E agora baby… Porque você se foi?”

“As noites ficaram tão frias, minhas janelas emperraram e o cobertor está molhado no varal exposto ao sol.”

“E agora baby… Quem vai preparar os ovos mexidos com tomates picados, anchovas e bacon no café da manhã?” Continue lendo ““E agora baby… Porque você se foi?”

Nada somos?

Amor dê Amora

Mansa. Quieta. Frutífera. Apavorada.

Um colo que não pertence a nenhum acalanto. Pedinte de olhares ausentes de semi serrados. Uma palavra já não basta para pôr a ceia que a mesa tanto vaga, afoga-se em prantos doloridos.

Uma casca, flor, sementes.
Uma faísca para uma breve despedida de sol, em dias de terça-feira insonsa.

Acorda em preces. Dorme em orações clamorosas. Espreita. Berra. Madruga só…

Os rituais são bélicos, transeuntes de memórias espessas – geleias de amora.

Amor? Amora! Dê.

Um jogo falho, pulando sempre dois dados, voltando sempre três casas. Mas, acabando presa em seu próprio martelo desajuizado.

Liberdade para quem somos. Liberdade para quem nos aconchega. Liberdade para quem nos parte. Liberdade para escolhermos ser girassois.

Um dia o trigo lhe rega
Noutro, um poema lhe rega
Até onde vai teu cabide de flores?

Quase transparente. Fria. Rude. Menina.

Ontem eu aqui no seu beiral, os galos cantantes anunciadores das manhãs mornas, teus afilhados aos gritos mundanos, o coito a base da lua, o suor da minha pele negra, as línguas sugadas como ralos de pia, as mágoas precoces antes da janta e as despedidas que nunca se concretizam.

Olhar a ti é fácil, pecado é não te deixar rimar. Não arder em cólera. Beber pouco vinho nas tardes de intenso tráfego. Sentar a mesa te assistindo mastigar corações de galinhas mortas infincadas em espetos de prata. Atrasar dois segundos de compromisso. Gaguejar na oratória. Torrar os olhos com o sol das montanhas. Cuspir feijoada durante seis horas num sábado de samba.

Teu vasinho cresce ou tuas florzinhas cantam?

Quem te cabe?

Tem uma Segunda na minha Terça-Feira

Algumas segundas-feiras são solitárias
e você se pega tomando cerveja às 9:30 da manhã
enquanto encara alguns amendoins velhos e rançosos.

O sol bate no parapeito da sua janela
mas pela primeira vez em sua existência
tudo o que você deseja é chuva. Continue lendo “Tem uma Segunda na minha Terça-Feira”

Estranho

Estranhamente estranho; EU.

mepocaliheriaaderito

Estranho é belo

Estranho é interessante

Estranho é exotico

Estranho é o modo como transmites

O teu amor, paixão, e desamores

Através da arte de escrever.

Estranho é o seu penteado

A sua mania de positivismo.

Estranho é o coração de caridade

Que carregas em seu peito.

Estranho é a encarnação das suas palavras

Escritas poeticamente.

Estranho é a maneira como invades

Os corações despreparados, transmitindo

Sentimentos de paixão, amor ,euforia

E até mesmo nostalgia.

Estranho é o seu cabelo, o seu sorriso

Estranha é a sua simplicidade é simpatia.

Estranho é a força que os seu textos transmitem

Levando a consciência de quem os bebe,

O modo real da vida.

Estranho é o seu horizonte difícil de alcançar.

Mepo Caliheria/2017 ( dedicado a Maria Victoria).

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